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Laboratório de História Tática

 

O laboratório de história tática é uma iniciativa coletiva de sistematização e difusão de táticas de luta do movimento autônomo nas últimas décadas.

Nossa proposta é resgatar táticas e estratégias utilizadas pelos movimentos autônomos, não só como registro histórico, mas como metodologia possível para alimentar lutas que acontecem e acontecerão.

Autonomia, aqui, não é cada um por si. É organização coletiva, horizontal, anticapitalista e solidária.

As atividades seguirão até o fim de 2026, sempre com pessoas convidadas que estavam/estão diretamente ligadas às movidas autônomas na cidade.

 

“movimento autônomo, ou autonomismo, é uma corrente política de esquerda anticapitalista e libertária que enfatiza a capacidade da classe trabalhadora de se organizar horizontalmente, sem depender de partidos ou sindicatos tradicionais. Foca na autogestão, na luta cotidiana e na criação de alternativas ao capitalismo”

 

Nossos passos vem de longe
e seguimos caminhando!

 

PROGRAMAÇÃO

[cartaz pra imprimir e espalhar -> link]

 

 

 

  • 05/072ª Feira do Livro Anarquista do ABC
    Horário: das 11h às 18h
    Local: Rua Jurubatuba, 1610 — Centro —
    São Bernardo do Campo/SP

 

 

 

 

 

 

 

INFORMAÇÕES

  • Atividades de maio a dezembro de 2026
    • Entrada livre
    • Programação completa no site e no Instagram

Site: historiadadisputa.com/lab
Instagram: @historiadadisputa e @passelivresp

 

 Resíduo 

De tudo ficou um pouco
Do meu medo. Do teu asco.
Dos gritos gagos. Da rosa
ficou um pouco

Ficou um pouco de luz
captada no chapéu.
Nos olhos do rufião
de ternura ficou um pouco
(muito pouco).

Pouco ficou deste pó
de que teu branco sapato
se cobriu. Ficaram poucas
roupas, poucos véus rotos
pouco, pouco, muito pouco.

Mas de tudo fica um pouco.
Da ponte bombardeada,
de duas folhas de grama,
do maço
– vazio – de cigarros, ficou um pouco.

Pois de tudo fica um pouco.
Fica um pouco de teu queixo
no queixo de tua filha.
De teu áspero silêncio
um pouco ficou, um pouco
nos muros zangados,
nas folhas, mudas, que sobem.

Ficou um pouco de tudo
no pires de porcelana,
dragão partido, flor branca,
ficou um pouco
de ruga na vossa testa,
retrato.

Se de tudo fica um pouco,
mas por que não ficaria
um pouco de mim? no trem
que leva ao norte, no barco,
nos anúncios de jornal,
um pouco de mim em Londres,
um pouco de mim algures?
na consoante?
no poço?

Um pouco fica oscilando
na embocadura dos rios
e os peixes não o evitam,
um pouco: não está nos livros.

De tudo fica um pouco.
Não muito: de uma torneira
pinga esta gota absurda,
meio sal e meio álcool,
salta esta perna de rã,
este vidro de relógio
partido em mil esperanças,
este pescoço de cisne,
este segredo infantil…
De tudo ficou um pouco:
de mim; de ti; de Abelardo.
Cabelo na minha manga,
de tudo ficou um pouco;
vento nas orelhas minhas,
simplório arroto, gemido
de víscera inconformada,
e minúsculos artefatos:
campânula, alvéolo, cápsula
de revólver… de aspirina.
De tudo ficou um pouco.

E de tudo fica um pouco.
Oh abre os vidros de loção
e abafa
o insuportável mau cheiro da memória.

Mas de tudo, terrível, fica um pouco,
e sob as ondas ritmadas
e sob as nuvens e os ventos
e sob as pontes e sob os túneis
e sob as labaredas e sob o sarcasmo
e sob a gosma e sob o vômito
e sob o soluço, o cárcere, o esquecido
e sob os espetáculos e sob a morte escarlate
e sob as bibliotecas, os asilos, as igrejas triunfantes
e sob tu mesmo e sob teus pés já duros
e sob os gonzos da família e da classe,
fica sempre um pouco de tudo.

Às vezes um botão. Às vezes um rato.

Carlos Drummond de Andrade
(A rosa do povo, 1945)

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A memória é um repositório importante de metodologias e aprendizados fundamentais para a manutenção da luta em outros momentos, bem como combustível para lutas que permanecem e se formam.

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